Archive for the ‘Sociedade’ category

Até sempre…

Abril 30, 2016

Tudo tem a sua época.

Hoje é dia de fazer uma pausa, não sei se curta, se longa. Será o tempo que o tempo entenda quanto tempo seja.

Obrigado a todos que me aturaram.

a.fontinha

Ai aguenta, aguenta!…

Abril 28, 2016

E Fernando Ulrich acaba de ser impedido de continuar a ser presidente executivo do BPI. Tem 63 anos.

Na assembleia geral de hoje os accionistas, entre os quais Isabel dos Santos, não permitiram a alteração de estatutos na parte que diz respeito à eleição de membros da Comissão Executiva com mais de 62 anos.

Ulrich vai ter de aguentar, mas no caso dele o fardo será muito leve.

a.fontinha

25 de Abril

Abril 25, 2016

A interessante apatia face aos offshores

Abril 22, 2016

Resultado de imagem para a quem interessa os offshores

“Não me espanta ver que, com o tempo, e à medida que os próprios mecanismos do jornalismo – que vive da novidade e que esgota ele próprio rapidamente a novidade, e que não consegue, nem quer, manter o critério da relevância – vão esmorecendo, o “interesse” pelas revelações dos Panama Papers desaparece e vai ficando tudo na mesma. Nas duas últimas semanas vários distintos advogados foram a todos os canais, RTP, SIC, TVI, explicar que os offshores, não sendo uma coisa excelente (esta argumentação ad terrorem fica para os autores de blogues “liberais”), são de uma pura legalidade.

Já comparei este tipo de argumento com o dos defensores das armas nos EUA: “Não são as armas que matam as pessoas, são as pessoas que matam as pessoas.” Aqui é “não são os offshores que levam à fraude fiscal, à evasão fiscal, à lavagem de dinheiro criminoso, da droga, dos subornos, etc., são as pessoas que fazem tudo isso.” O instrumento é impoluto, é “legal”.

Claro que há uma pergunta que tem ainda mais sentido com os offshores do que com as armas: qual é a utilidade económica dos offshores? E depois outra pergunta: por que razão, havendo tantos meios “legais” de ter guardado o seu dinheiro, sólidos bancos, colchões, cofres na parede, os muito, muito ricos, têm uma espécie de predilecção intensa por esta forma de “legalidade” que são os offshores?

É que o mundo dos “mercados” e de muita política capturada por eles, não mobiliza milhares, nem milhões, mobiliza biliões e triliões. Isto é que é amor pela “legalidade”!”

José Pacheco Pereira

Tem dinheiro para estar num offshore?

Abril 17, 2016

“Se os offshores fossem acessíveis a toda a gente, quem é que não gostaria de colocar o seu dinheiro num deles? No mínimo, pagaria bem menos de imposto e comissões que os 28% de taxa liberatória que tem de pagar sobre um depósito a prazo num banco residente ou os 25% que lhe são exigidos quando aplica o seu dinheiro num fundo de investimento. E o bem menos é entre 1% e 5%. Substancial, não? E muito atrativo.

Então porque é que não colocamos todos o nosso dinheiro em offshores? Ah, porque não é toda a gente que pode entrar no clube. Qualquer banco que opera em Portugal trabalha com offshores. Repito: qualquer. Mas a qualquer que se dirija para lhe solicitar a colocação das suas poupanças num offshore vão-lhe exigir no mínimo entre €200 e €250 mil para aceder ao seu pedido. E daqui passa-se para a pergunta seguinte: quantos portugueses dispõem em Portugal de poupanças no montante de €250 mil? Sejamos otimistas: um milhão. Ora, como há 4,2 milhões de contribuintes que pagam IRS, isso quer dizer que pelo menos 3,2 milhões não podem abrir uma conta offshore (e estou a dar por adquirido que o tal um milhão paga pelo menos algum IRS). Isto quer então dizer que a desigualdade entre os primeiros, que pagam uma taxa irrisória quando aplicam as suas poupanças num offshore e os que não o podem fazer, que já era grande devido à diferença de rendimentos, agrava-se por via fiscal: os que menos têm são os que mais contribuem por esta via (aplicação de capitais em depósitos a prazo) para os cofres do Estado. E se passarmos isto para o universo familiar, há nove milhões de portugueses que veem, por esta via, agravar-se a desigualdade para o tal milhão de privilegiados.

E se em vez desse milhão de privilegiados houver apenas, na realidade, 30 mil a 40 mil portugueses com capacidade económica para recorrer a offshores? E que se estima que o dinheiro que neste momento está colocado em offshores por portugueses domésticos e emigração varia entre €30 mil milhões e €40 mil milhões. Porque é que isto é importante? Porque com as fracas taxas de crescimento previstas pelo FMI até 2021, a capacidade de o Estado português aumentar as suas receitas fiscais é muito limitada, quando o IVA está em 23%, o IRS é já brutalmente progressivo, os impostos sobre o pecado e sobre viaturas são já muito elevados e o IRC tem de descer para atrairmos investimento estrangeiro. Ou seja, um aumento significativo das receitas fiscais no quadro atual só pode vir de impostos cobrados sobre o dinheiro que se encontra em offshores.

Não, nem todos os offshores são ilegais. Mas são imorais, porque fazem com que os ricos fiquem mais ricos, os pobres mais pobres e os Estados mais fracos. Aumentam as desigualdades sociais. E não há intrincada explicação jurídica que consiga justificar isto.”

Nicolau Santos

As lambadas que nunca te dei

Abril 14, 2016

“Ai mãezinha, querem dar uns tabefes no nosso querido menino. 

“A liberdade de expressão é um direito, mas se o meu bom amigo, o doutor Gasbarri [que organiza as viagens do Sumo Pontífice] ofender a minha mãe, vai levar um murro. Para tudo há limites.” Eu gosto deste Francisco, é tão humano que até é Papa.

Vivemos tempos viscosos, de opacidade e canalhada. O cínico é louvado como intelecto, a cobardia representada como modelo de sensatez, e a deslealdade é um acto de fina diplomacia.

Uma prosa sobre nada, uma retorica hermética ou uma obra artística esdrúxula, são seguramente experiências sensoriais de uma erudição superlativa. 

O que interessa, é garantir guarida no circuito mafioso que define os padrões do que é arte, criação, intelligentsia. Ou seja, estamos lixados.  

A este bando, a gente de pé na rua, chama corja. Estes rufias de colarinho branco e mão tratada, falta-lhes o necessário para se comportarem de forma erecta.

Copiados por consanguinidade entre pares e primos, tios e afilhados, esta tropa fandanga que só por azar não nasceu francesa, por uma estranha crença, imagina-se intangível e por direito impune e imune. 

Para eles o insulto há distância, é um estilo protegido, é mal cheiroso em luva branca, é tiro de tocaia, sempre sem expor o corpinho. Se o homem não reage está morto, se reage é um caceteiro.   

Artistas encalhados, jornalistas por empréstimo, e políticos ressentidos, ilustres desconhecidos de que não se conhece um espasmo de mérito, quando se juntam, é seguro que há cadáver desmembrado. 

“O gajo é maricas, a tipa já dormiu com as redacções de toda a imprensa nacional e regional, o sujeito é um bêbado, a criatura é uma drogada, o imbecil não sabe escrever mas é filho do indivíduo que é corrupto até á medula, só tem o subsídio porque é da situação, beltrano é um ladrão e mentiroso, fulana vai á televisão porque é amante do ministro e casada com o produtor”

Porém, quando por acaso se encontram, lançam-se em abraços de emocionados elogios, para logo que um deles vire costas, alguém afirmar: “Pensava que já tinha morrido!” 

São sombras ao serviço de manchas. Lançam a pedra e escondem a mão.

Quando lhes convém sacam da santa democracia para exigir aprumação e respeitinho, mas só quando lhes convém, porque em tudo o resto chafurdam no pantanal da difamação, da facadinha nas costas, dos salamaleques e lisonjas de influências.

Esta coisa de expressão, crítica e cultural, não é para meninos, upa, upa, é necessário, muita anquinha, muita embocadura, muito cadáver enterrado. Isto é malta de outra espécie, gente com classe.

Vamos ver se entendi bem. Um cronista verteu sobre cultura e foi acrescentado ao texto pensamentos sobre a personalidade e intenções do Ministro. Ou seja, caluniou o homem, lançou a suspeita sobre a honestidade da sua postura em relação ao cargo. O Homem que era Ministro leu e reagiu.

Sejamos claros, o homem que era Ministro, estava sob mira da corja, que desde o primeiro dia não o suportava no cargo, o resto foi apenas um pretexto.

Logo uns e outros, novos meninos cretinos e antigos velhos imbecis, rasgando vestes, em defesa do seu direito ao insulto sem resposta, lançaram-se ao homem ministro.

Prefiro mil vezes o homem João Soares que defendeu o seu direito á indignação, recusando uma selectiva avaliação da liberdade de expressão, demonstrando que os cargos se entregam mas a honra não, de que a companhia de uns biltres.

Na freguesia da Ajuda, terra empoleirada e de gente firme, pinguinhas que rabiscasse bilhetinhos de mal dizer, ou urdisse boataria de pataréu, estava desgraçado.

Era certinho que na porta de admissão ao “Sólido” no cimo da Calçada do Galvão, tinha uns tabefes afiançados pela vítima ofendida.

O conflito, tinha direito a falanges de apoio, a pelo menos um desmaio, um “larga o homem” dito com compaixão, e a vários “epá não era p’ra ti” proferidos com genuína aflição.

Quando percebia que o bate boca afrouxava, o marreco, também conhecido por Carlos, responsável pelo bar, desafiava os antagonistas para umas ginjinhas, sob a vigilância trocista do Zé Dillinger, bandido de bairro, criado entre a Boa Hora e o Pátio das Vacas, e homem respeitado com a veneração merecida ao killer americano, de quem sacou apelido e temor. 

Recordo, o velho Dias, trabalhador da estiva, que na sua juventude, burlado nas partilhas de um trabalho em loja de ourives, foi de clandestino até ao Brasil, para acertar contas com o sócio para lá fugido, nos dizer: “ Há coisas que não se anunciam, fazem-se e já está…”

Se o Papa Francisco pode garantir uns murros sem temer que Deus o demita, não posso eu distribuir umas latadas por quem me difamar? Creio que sim!”

Artur Pereira

Cano de esgoto entupido…

Abril 11, 2016

Que autoridade moral tem o correio da manha para continuar com as perseguições a pessoas, empresas e instituições, que constituem diariamente a sua primeira página, quando o grupo a que está ligado apresenta estas vergonhosas dívidas? 

“A Cofina Media, que entre outras publicações detém o “Correio da Manhã” e o “Record”, está penhorada ao Estado por dívidas ao Fisco e à Segurança Social no valor de cerca de 12,5 milhões de euros, tendo em 2015 constituído provisões de 1,1 milhões para fazer face às divergências com o Estado.

Segundo o relatório e contas de 2015 da Cofina SGPS, a empresa deu como garantia da dívida ao Estado a totalidade das ações da Cofina Media, também dona da revista “Sábado” e do “Jornal de Negócios”.

“Em 31 de dezembro de 2015, o Grupo Cofina tinha constituído garantias cujo detalhe é como segue: a) Penhor de 112 268 150 ações da Cofina Media, S.A., a favor da Autoridade Tributária e Aduaneira dadas como garantia de processos de execução fiscal”, refere o documento. (JN)”

É gente com muita lata…

a.fontinha