Archive for the ‘Educação’ category

Exame da quarta classe, a nova batalha da direita

Dezembro 2, 2015

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“O exame da quarta classe tem um efeito mítico para a nossa direita, marca um antes e um depois, dantes sabia-se tudo, depois veio a bandalhice, dantes era o Salazar, depois foi a democracia.

Não importa que não sirva para nada, não importa que seja de um tempo em que a escolaridade obrigatória era de 4 anos, o que importa é que o futuro de Portugal está comprometido porque deixa de existir um exame que só por cá existia.

Curiosamente o Crato desapareceu e já ninguém fala dele, desapareceu o homem mas ficou a obra, obras como o exame da quarta classe e o desinvestimento no ensino do inglês.”

Jumento

Escândalo

Setembro 21, 2015

“Este Governo cortou muitas centenas de milhões de euros no ensino público em nome da austeridade orçamental, mas encontrou meios de dar 160 milhões aos colégios privados. Sim, um verdadeiro “escândalo” – como diz o ex-diretor-geral da administração escolar numa entrevista ao Diário Económico de hoje.

Mas é um escândalo ao quadrado, visto que, como aqui se assinalou, essa  prodigalidade governativa  foi anunciado já com as eleições marcadas, portanto como puro instrumento de propaganda eleitoral, à custa dos contribuintes e da escola pública.

Decididamente esta gente não tem o mínimo de escrúpulos democráticos em matéria de lisura eleitoral.”

Vital Moreira

A privatização da educação

Agosto 24, 2015
 

Escola Secundária de Olhão

“Não é preciso fechar as escolas públicas. Basta asfixiá-las, transferindo as verbas da Educação para o sector privado: há 651 novas turmas de colégios que serão financiadas pelo Estado.

CC

O carroceiro Crato

Janeiro 27, 2015

"Não faz sentido que um professor dê 20 erros ortográficos numa frase", diz Crato

O ministro da educação, Nuno Crato, foi hoje à Assembleia da República e fez uma comparação caricata, muito desengraçada, considerando que a prova de avaliação feita aos professores era como um exame de condução.

Esta intervençao só é aceitável quando feita por um carroceiro que no seu ministério só tem feito burrice.

Alfredo Fontinha 

O Estado numa parábola

Julho 9, 2014

“Não sei se o leitor foi recentemente inscrever um filho numa escola pública.

Se foi, terá sido confrontado com a obrigação de apresentar os seguintes documentos: boletim de inscrição (com várias páginas); boletim de auxílios económicos (obrigatório, mesmo que não peça qualquer auxílio económico); verbete do IRS; declaração do escalão do abono de família; fotocópia do cartão do cidadão do aluno; fotocópias do cartão de utente, da segurança social e de contribuinte do aluno; fotocópia do boletim de vacinas; duas fotografias; declaração médica; fotocópias do cartão de cidadão dos pais ou encarregados de educação e ainda de todos os membros do agregado familiar; fotocópia do comprovativo de residência (recibo de água ou luz); atestado de residência a obter na junta de freguesia respectiva. No caso da escola em que eu próprio fui inscrever um filho com três anos era também obrigatório um impresso adicional, elaborado pelos serviços administrativos da instituição.

Na mesma semana em que reuni estes papéis – sim, porque é necessária uma semana para fazer isto – conversei com um casal amigo que tinha estado na Holanda durante um ano, com dois filhos pequenos. Perguntei-lhes como tinha sido a inscrição das crianças na escola pública em que andaram e o pai contou, com um sorriso: “Fui à escola falar com o director e perguntar que documentos seria necessário trazer. Ele respondeu: traga as próprias crianças”. Ou seja, não foi necessário absolutamente nenhum documento. Os dados sobre as crianças foram transmitidos directamente pelo pai ao director da escola, que se limitou a tomar nota. Na escola não havia secretaria e o trabalho administrativo – quase inexistente – era feito pelo director. As crianças começaram a frequentar a escola no dia seguinte.

Já se sabe que Portugal não é a Holanda e, em muitos aspectos, é bom que não seja. Mas esta pequena parábola serve para contrastar a extrema burocratização a que chegámos – na educação, mas também na universidade, na saúde, na segurança social, no licenciamento industrial, etc. – com um exemplo contrário que se encontra facilmente na Europa. Deve também notar-se que a tendência recente do Estado português tem sido de agravamento dos problemas. A criação de sistemas de informação digitalizada criou uma nova burocracia informática, muitas vezes pior do que a antiga que, aliás, permanece em simultâneo com a nova. Ainda há poucos anos menos de metade dos documentos acima referidos eram suficientes para inscrever uma criança na escola. Da mesma forma, qualquer trâmite administrativo noutras áreas do Estado era mais simples.

Suponho que estes sejam os resultados da reforma do Estado em curso, ou seja, o corte do músculo para ficarem as gorduras.”

João Cardoso Rosas

A promoção criminosa do trabalho infantil

Julho 2, 2014

“Estamos a mascarar o trabalho infantil
com um ensino supostamente vocacional”

 

Passagem da entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues ao Público

“(…) Com os níveis de abandono que temos, tem sido muito difícil concretizar a escolaridade básica de nove anos, é um problema. Mas a solução não é encaminhar os alunos do insucesso para as empresas ou para vias que são marginais. Isso é uma via de facilidade que vai comprometer o nosso futuro e o dessas crianças. Eu ainda vivi as políticas públicas de combate ao trabalho infantil. Os nossos jovens começavam a trabalhar com 12, 13, 14 anos e nós lutávamos contra isso. O país investiu imensos recursos em políticas de combate ao trabalho infantil. E agora estamos a mascarar o trabalho infantil com um ensino supostamente vocacional? E desde quando é que as empresas têm vocação de ensinar? A instituição que o país criou para ensinar e acolher os jovens foi a escola, não as empresas. As empresas têm outras missões, podem ajudar a escola, podem ter estágios, mas não podem ser responsabilizadas pela educação das crianças.

Vamos voltar a um trabalho infantil encapotado. Isso é muito negativo. Não estou a invocar que tenho razão, mas há outros portugueses a pensar como eu. É um debate que divide a sociedade portuguesa.”

Geração praxada nação lixada

Janeiro 31, 2014

“A investigação ao caso da praia do Meco tem sido conduzida por jornalistas. Passadas semanas a polícia continua a estudar quem deve entrevistar primeiro, enquanto as famílias se metem ao barulho e o assunto chega ao circo parlamentar. Portugal prepara-se para mais um daqueles imbróglios que duram anos, ocupam títulos e tempo das televisões e no fim dão em nada.

Há alguns anos atrás, sobretudo com o aparecimento das novas universidades, os jovens decidiram imitar a antiga Coimbra, criando um simulacro de traje académico, quase sempre fundo preto cheio de carimbos irrelevantes, e rituais estúpidos a condizer. Disseram que servia para ajudar à integração dos novos estudantes, pelo que reitores e diretores das respetivas universidades ficaram todos contentes com esta “criação espontânea de identidade”, lhes deram todo o apoio e promoveram a “marca”. Depois começaram a surgir os casos. Traumas e mesmo mortes. Os responsáveis pelas universidades primeiro abafaram depois afastaram-se da coisa, dizendo agora que nada têm a ver com o assunto. Ou seja, reitores e diretores das universidades consideram nada ter a ver com um assunto central na atividade das suas instituições.

A praxe nunca foi um exercício de integração, mas sim de discriminação. Desde logo só os praxados têm direito a andarem vestidos de palhaços. Os outros não. Divide os estudantes em dois grupos e dessa forma exerce uma enorme pressão psicológica sobre todos. Os jovens, pela sua natureza débil, têm necessidade de pertencer ao grupo e sofrem sempre que são postos de lado e isolados. Só isso bastaria para se perceber como o mecanismo é intolerante e intolerável. Mas há mais.

A praxe organiza-se em hierarquia, impondo uma visão da sociedade em que uns mandam e outros obedecem irracionalmente. Dessa forma “preparam” os jovens para uma vida de obediência aos chefes e estes para o exercício da brutalidade. Condição nefasta não só para os próprios, mas para a própria sociedade que precisa de gente livre, criativa, com capacidade e ambiente para desenvolver novas ideias. Ou seja, através destes rituais as universidades tornam-se centros de promoção da incompetência.

Sobre os rituais está tudo dito. São no essencial obtusos assentando quase exclusivamente na humilhação dos “caloiros”, passando com frequência para a agressão, física e psicológica. Os exemplos abundam e as suas consequências também. Trata-se da banalização da brutalidade no meio académico. Enquanto os pobres têm as claques de futebol, os ricos têm as suas praxes. Vai tudo dar ao mesmo.

No seu devido tempo, Mariano Gago, na altura ministro da Educação, chamou à praxe uma manifestação “fascista e boçal” apelando aos responsáveis pelas universidades para lhes porem termo. Acertou não só na descrição, mas também no verdadeiro alvo. Pois se os alunos são culpados da sua imbecilidade mais culpados são ainda aqueles que, tendo a seu cargo a formação dos jovens, toleram e até promovem tais exercícios. Porque não tenhamos qualquer dúvida. Reitores e diretores são na verdade os maiores responsáveis pelo estado a que chegou esta dita prática académica, na verdade uma prática criminosa. Não basta por isso condenar os jovens. Reitores, diretores das universidades assim como os membros das associações académicas deviam ser acusados de incitação ao crime não fosse a nossa justiça sempre desatenta e branda com os maus costumes.

Caso se venha a provar que as recentes mortes na praia do Meco resultaram daquilo que os telejornais vão descrevendo, não basta condenar o principal promotor que sobreviveu. A Universidade Lusófona, farta em casos indignos, devia ser alvo de um inquérito sério e sofrer as respetivas consequências. Uma delas podia ser o seu merecido encerramento. Bem pode agora o reitor dizer que é contra as praxes ou o habitual Damásio dizer que não é nada com ele, nunca é, já que a questão reside em saber o que fizeram para as evitar.

As praxes são um dos exemplos de um país que se degrada na sordidez e na brutalidade. Em vez de prepararem os jovens para uma vida ativa e produtiva muitas das nossas universidades dedicam-se à formação de bandidos. É essa a realidade.”

Leonel Moura