Archive for the ‘Cultura e Lazer’ category

O Sequeira é nosso…

Abril 27, 2016

“Com uma doação de 35 mil euros, a Fundação da Casa de Bragança completou os 600 mil euros necessários para acrescentar ao acervo do Museu Nacional de Arte Antiga o quadro Adoração dos Magos (1828), de Domingos Sequeira.

Foram seis meses de crowdfunding intenso, no qual participaram anónimos, figuras públicas e instituições (a Fundação Aga Khan contribuiu com um terço do total, ou seja, com 200 mil euros), tais como a Fundação Luso-Americana, a EDP, a Fundação Carmona e Costa, o ACP, a Galeria Jorge Welsh, a Sociedade Portuguesa de Autores, etc. Presumo que antes do Verão já se possa ver a tela exposta no MNAA.”

Fonte: Da Literatura

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“O Piolho”

Abril 24, 2016

Café Ancora d’Ouro, vulgo “O Piolho”, onde desde 1889 se encontram muitos professores e alunos da Universidade do Porto.

“ O Café Âncora d’Ouro, também já existia nos fins do sé. XIX. No ano de 1909 foi trespassado a Francisco José de Lima. Hoje (1964) na posse de um seu filho, desfruta de grande prestígio, por ali se reunir a classe médica e a irrequieta estudantina universitária. 

Por essa razão, é que as suas paredes se vêem ornamentadas com inúmeras placas de mármore ali mandadas colocar, de 1947 para cá, pelos cursos médicos, na altura da movimentada e festiva Queima das Fitas. 

Para amostra e como lembrança, aqui deixamos o texto integral de duas dessas lápides:

“Vós que ora entrais, sabei que outros maiores,

Que os mestres nunca olharam bem de frente, 

Um dia conquistaram sem favores,

O grau que ambicionais, ó fraca gente!

Deste café saíram tais doutores 

Sem nunca terem visto a cara ao lente…

(do curso 1951/52)

“Ouve oh caloiro ingénuo e criançola

(que nisto de Galeno estás bem cru):

Entrega ao mestre a sua velha escola

E manda o que aprendeste a belzebu…

Has-de gritar, um dia, dando à sola:

Ancora d’Ouro, a faculdade és tu…”

(do curso 1952/53)

Fonte: Porto, de Agostinho Rebelo da Costa aos nossos dias

“Esperto como o alho”

Abril 16, 2016

“O mercador portuense Afonso Martins (Alho), procurador do concelho, foi enviado por D. Afonso IV à Inglaterra com a finalidade de tratar com Eduardo III um acordo económico, que permitisse, entre outras coisas, a pesca de barcos portugueses naquela costa. Regressado, teve a anuência do Rei para em 20 de Outubro de 1353 assinar, em Windsor, o primeiro tratado entre Portugal e Inglaterra. Terá sido mesmo o primeiro tratado do mundo entre dois países. Dado a sua habilidade e diplomacia foi considerado um excelente embaixador dos nossos interesses. Os portuenses criaram então o aforismo “esperto como o alho”. Ainda hoje, mais de seiscentos anos depois, esta frase é repetida mas, infelizmente, duma forma deturpada, “esperto como um alho”, o que lhe tira qualquer sentido.

Existe no Porto a Rua Afonso Martins Alho, entre a Rua das Flores e a de Mouzinho da Silveira, e onde se encontra a conhecida Adega do Olho.”

Fonte: Porto, de Agostinho Rebelo da Costa aos nossos dias

Irmãzinhas dos Pobres – Pinheiro Manso

Abril 16, 2016

“Santa Joana Jugan, fundadora das Irmãzinhas dos Pobres – 1792-1879. Criou esta congregação para apoio dos velhos doentes, abandonados e pobres.

No dia 5 Novembro de 1897 inicia-se a construção do edifício das Irmãzinhas dos Pobres, na rua do Pinheiro Manso, sendo a primeira pedra colocada pelos Cónego Dr. Cardoso Monteiro, em representação do Sr. Cardeal D. Américo, conselheiro Araújo Silva, director das Obras Públicas, e Dr. Terra Viana. Álbum da Congregação.

Renovação nos anos 30 do séc. XX – álbum da Congregação

Estátua de S. José nas Irmãzinhas dos Pobres – 22/2/1900 – Sob modelo de Soares do Reis, o escultor Silva, ao serviço do empreiteiro João Gomes Guerra, termina a bela estátua de S. José, de 2,40 metros, que foi colocada na fachada do edifício do Asilo das Irmãzinhas dos Pobres ao Pinheiro Manso.”

Fonte: Porto, de Agostinho Rebelo da Costa aos nossos dias

Um poema que vale um ministro

Abril 13, 2016

De: Luís Filipe Castro Mendes, in A Misericórdia dos Mercados

“Nós vivemos da misericórdia dos mercados.
Não fazemos falta.
O capital regula-se a si próprio e as leis
são meras consequências lógicas dessa regulação,
tão sublime que alguns vêem nela o dedo de Deus.
Enganam-se.
Os mercados são simultaneamente o criador e a própria criação.
Nós é que não fazemos falta.”

Fonte: Macroscópio

“Sair pela porta do cavalo”

Abril 10, 2016

“Esta expressão, quando usada no Porto, significava que alguém se eximia a sair sem ser vista, usando a porta das trazeiras. Isto, porque tinha a consciência pesada e não queria, por cobardia, ser confrontado com os outros. A “porta do cavalo” era a que existia nas trazeiras do Hospital de Santo António e que servia como porta de passagem das carruagens e dos cadáveres. Tinha um batente com a cabeça de um cavalo.”

Fonte; Porto, de Agostinho Rebelo da Costa aos nossos dias

Um extraordinário livro de um grande português

Abril 8, 2016

“A vida de Manuel Alegre confunde-se com a História do país, num percurso acidentado, mas sempre consagrado à liberdade, no que essa opção significa de honra e de perigo.

Manuel Alegre é um dos maiores poetas da história da literatura portuguesa. Faz parte do imaginário de uma ou de duas gerações que leram ou ouviram o grande português, em épocas ominosas da pátria, a proclamar, com a força poderosa das convicções, que a esperança tem sempre razão. “Mesmo na noite mais triste/ em tempo de solidão/há sempre alguém que resiste/há sempre alguém que diz não.” Pertence ao património moral e cultural da Resistência, e é daqueles que nunca poderá ser acusado de lesionar a liberdade. A sua vida confunde-se com a História do país, num percurso por vezes acidentado, mas sempre consagrado à liberdade, no que essa opção significa de honra e de perigo. É um grande poeta, não é de mais dizê-lo, num tempo em que os leopardos foram substituídos por chacais. Um poeta que se não fixa, apenas, nesse património moral de combate. “Senhora das Tempestades” é um momento altíssimo de criação que pertence aos lugares mais selectos da nossa lírica. Releio-o com a frequência que as circunstâncias exigem.

Alegre acaba de publicar, pelas Edições Dom Quixote, mais um livro notável. “Uma outra história”, a que apôs o subtítulo: “A escrita, Portugal e os camaradas dos sonhos.” Prosa, e prosa de primeira água, filiada nessa grande tradição portuguesa de memória e de reconhecimento. Um livro de afectos e de cumplicidades, de memórias e de evocações, para que não nos esqueçamos daqueles que foram os autênticos autores de uma comovente história portuguesa. E, também das situações organizadas num país sequestrado, que colocava nas cadeias, no exílio e no desespero os seus melhores filhos.

Eis a lembrança de um homem por quem passaram grande parte dos acontecimentos ocultos ou dissimulados por aqueles que se julgam os vencedores eternos, quando não passam de biltres momentâneos. Para que não nos esqueçamos e não permitamos que, à sobreposse, façam do esquecimento uma espécie de carta-de–alforria. Manuel Alegre é uma testemunha privilegiada, por vezes única, de acontecimentos que homens decentes, corajosos e abnegados fizeram numa luta desigual contra o fascismo. Este livro belíssimo devia ser indicado para que as escolas o lessem e as gerações mais novas, novíssimas, aprendessem a grandeza de uma luta empolgante pela natureza desigual dos que desejavam viver em liberdade e daqueles, perseguidores, que defendiam o contrário, com a tortura, a perseguição e a polícia.

Este livro, composto de vários capítulos, é um acto de pedagogia e um compromisso com a pátria. Há muito tempo que um texto me não emocionava tanto, quanto este “Uma outra memória.” Ele ensina quem desconhece ou oculta a verdade de tempos afinal tão perto, e dos quais se não fala por malevolência política e ideológica. É uma pedra de oiro na obra do grande poeta, que foi um resistente generoso, e que pertence ao património mais nobre da vida moral e cultural da pátria. Por igual, ele distingue e abraça os que, de todos os credos, se envolveram na batalha, por vez insana, pela liberdade.

Este livro enobrece o autor e nobilita-nos como leitores gratos.”

Baptista Bastos