É preciso avaliar o que fizeram a Portugal

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“Sucesso das exportações, saída limpa, ajustamento, reformas, recapitalização da banca, aumento do turismo, criação de emprego, emigração, pagamento da dívida ao FMI, foram tantos os sucessos de Portugal em tão pouco tempo que apetece perguntar porque nos sentimos tão mal.

Se exportamos tanto e criamos tantos empregos como é que isso é possível sem que tanta riqueza produzida e vendida não se apareça reflectida no crescimento? Se tivemos uma saída tão limpa porque razão teremos de andar vários anos a recuperar da caca que foi feita? Se foram feitas tantas reformas em tão pouco tempo, incluindo uma profunda reforma do Estado apoiada num guião que pagámos ao FMI porque se fala tanto de mais reformas?

A troika e, em particular, técnicos anónimos e ambiciosos da Comissão e do BCE, usaram Portugal para testar as suas teses académicas, durante quatro anos os portugueses foram ratinhos de laboratório ao serviço da elaboração de teses e de papers, o ridículo da situação foi ver um ministro das Finanças, um economista cinzento campeão de papers, a escrever o prefácio da obra inspiradora da politica económica neo-salazarista que nos foi imposta.

A experiência ainda não acabou, parece que agora é a banca portuguesa que está no banco de testes. A dimensão da economia portuguesa é a ideal para realizar este tipo de experiências, se a coisa correr mal não tem grande impacto e há por cá uns políticos ambiciosos dispostos a chegar ao poder a qualquer custo, não hesitando em atribuir a outros as culpas pelos erros alheios. Essa postura traidora ser-lhes-à paga em apoios financeiros e idas a Berlim ou a Frankfurt.

Bancos pequenos em situação difícil, bancos médios com problemas de financiamento e um grande banco público com carências de capital, uma oportunidade única para testar as regras europeias da concorrência e para que os técnicos do BCE façam experiências de falências controladas com os custos suportados pelas próprias cobaias. Acontece com Portugal o que sucede com os condenados à morte na China, no fim da experiência ainda são os portugueses a pagar a bala.

É tempo de o país parar e reflectir, de pensar o que se passou realmente, saber qual foi o papel de todos os intervenientes, mortos ou vivos, residindo em Portugal ou trabalhando em Washington, políticos portugueses ou académicos de Harvard, instituições nacionais ou gabinetes escondidos no BCE, na Comissão ou no FMI. 

É preciso avaliar o custo e os benefícios do que foi feito, saber o que nos foi imposto e o que foi decidido pelos nossos neo-salazaristas a coberto do estatuto de protectorado, as reformas que foram feitas, as que não foram feitas e as que ficaram por fazer, o papel dos governos, de Cavaco Silva e de Durão Barroso no processo político que conduziu ao resgate e, posteriormente, às sucessivas alterações secretas do memorando.

Sem se perceber o que se passou não faz sentido falar em reformas ou em consensos.”

O Jumento

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