A cadeira do professor Marcelo

“Na hora dos scones (só para variar da “hora do chá”, usada por quase todos os comentadores), o novo Presidente, ainda a cheirar a couro, apareceu para explicar, sentado numa cadeira, porque promulgou o OE de 2016.

Confesso que fui surpreendido pelo estilo, porque nunca fui aluno do Professor Marcelo. Foi um regresso à telescola. Dei por mim a dizer: “Qual era o ponto 3, sotôr? Estava distraído, desculpe. Espere. 3 razões. Abre chaveta…”. Foi complicado, já não estava habituado, e o ritmo do professor Marcelo é só para marrões. Mas, claramente, prefiro este professor ao anterior. Ao menos, este nem TPC mandou, ao contrário do outro, que era só desgraças e recados para os pais.

O principal problema que a maioria dos portugueses enfrenta, quando ouve as declarações do novo Presidente da República, é saber que não vai haver Professor Marcelo Rebelo de Sousa para comentar as declarações do PR. Ficam os portugueses sem saber o que pensar. Faz muita falta Marcelo comentador para dizer ao povo o que quis dizer Marcelo PR.

Outro problema que afligiu os portugueses, nesta primeira declaração do novo PR, foi o facto de a transmissão ter sido feita apenas pelos canais cabo. Provavelmente, Marcelo Rebelo de Sousa quis ver se era tão popular como um “derby” na Sport TV. Com a extraordinária popularidade de Marcelo, seria natural ver os portugueses a correr para o café do bairro para ir ver o PR. E os jovens nas redes sociais, como o Twitter, desesperados: “Quem é que me arranja um ‘stream’ para ver o PR?!”

Se a intenção do Presidente era ver se era tão, ou mais, importante que o futebol, a coisa não correu bem. Pelo menos para a RTP1, a declaração do PR sobre o Orçamento do Estado ainda não está ao nível dos jogos da Selecção.

Quanto ao discurso em si, Marcelo despachou-nos em dez minutos, falou em orçamento “inspirador”, transpirou simpatia e concluiu dizendo: “O modelo provou ou não provou? Só em 2017 começaremos a ter uma resposta para este problema.” Como quem diz: “Deixem-nos trabalhar!”

Os partidos do actual arco da governação gostaram das declarações do PR. Já nos partidos da oposição, a situação foi diferente. O CDS diz que o “capítulo do Orçamento já está fechado”, por isso não tem nada a dizer (Cristas quer guardar as metáforas que lhe restam para melhores palcos, e sabe que o PR é popular como eles querem ser) e o PSD insiste que a estratégia do Governo “é errada e imprudente”… e constitucional!!!

Na verdade, por esta altura, no meio de sorrisos, diálogo e simpatia, Marcelo e Costa entendem-se às mil maravilhas, tal como Aníbal Cavaco Silva e Passos Coelho entendiam-se aos mil horrores.”

João Quadros

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