Bom senso

“Além da rendição emocionada de Paulo Portas a Assunção Cristas, o fim de semana político foi dominado por um psicodrama partidário. A dúvida era como é que o governo iria ultrapassar o bloqueio da oposição e dos parceiros das esquerdas aos artigos do Orçamento do Estado relativos ao cofinanciamento da ajuda financeira à Grécia e aos refugiados na Turquia.

O PSD, comprometido com votações cegas às propostas do governo, pré-anunciara o chumbo mesmo que com isso ficassem em causa compromissos internacionais do Estado português. Ao PS restava, como aliás fez, apresentar propostas de alteração na esperança de que o PSD cumprisse a promessa de se abster e, assim, viabilizar as normas corrigidas.

Indo por partes. É óbvio, como facilmente se antecipava, que a discussão dos orçamentos iam ser momentos de tensão entre o governo e os partidos que o apoiam. Sobretudo quando estivessem em causa imperativos de pertença à União Europeia ou a outras organizações internacionais. Imagine-se, por exemplo, como se comportarão PCP e Bloco se no futuro houver necessidade de viabilizar a participação portuguesa em missões internacionais sob a bandeira da NATO. Como é evidente, não se esperam incoerências daqueles partidos. Mas surreal seria mesmo ver PSD e CDS – não é que não tenha acontecido no passado – a alinhar com a esquerda radical.

O que é facto é que foi António Costa quem nos assegurou que, apesar da natureza dos seus aliados conjunturais, nunca estariam em risco as obrigações externas de Portugal. E desse ponto de vista cabe-lhe, naturalmente, retirar consequências de eventuais falhanços se eles vierem a existir no futuro. Sobre estes dois compromissos em concreto importa porém sublinhar que foram assumidos e negociados pelo anterior governo e era o que faltava que, por mero taticismo ou despeito, não fossem honrados por quem os contraiu.

No fim do dia imperou o bom senso. Resgato uma frase de Paulo Portas ao congresso do CDS que deveria servir de exemplo a Pedro Passos Coelho em vez de continuar em negação e a votar contra tudo e mais alguma coisa: “Neste partido não habita o ressentimento.” Isto é, se o PSD aspira a ser alternativa, e é bom que o queira, convém que aceite que já não está no poder e que abandone esta postura de governo no exílio.”

Editorial DN

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