A implacável maldição da família

“(…) É por tudo isto que compreendo tão bem o sofrimento pessoal do meu jovem primo Mário Barroso Soares (foi ele que tomou a inciativa de ir ao Registo Civil incluir o apelido Barroso no seu nome, em homenagem à avó e minha tia, Maria Barroso, irmã do meu pai). É sobretudo ao pai dele, João Soares, hoje ministro da Cultura, que se pretende causar dano, e, por via dele, ao Governo de que faz parte. Mas o dano colateral infligido ao filho, um jovem de 29 anos que já passou as “passas do Algarve” por querer distanciar-se dos “fantasmas” da família (chegou a servir à mesa num restaurante em Paris, entre outros empregos de ocasião), é bem mais doloroso e mais fundo. Filho e neto de quem é, não tem para onde se virar, porque qualquer que seja o emprego que consiga arranjar, seja no sector público seja no privado, será sempre por ser filho e neto de quem é – laço familiar que está mesmo a jeito. E pouco importa o currículo que ele apresenta. É licenciado em História pela UNL, tem uma pós-graduação em Diplomacia e Relações Internacionais pela Universidade Católica, tem um Mestrado em História e Audiovisual pela Sorbonne e tem o curso de Fotografia da Ar.Co., além de várias experiências profissionais (consideradas curtas pelo jornalismo acusador). Mas por que raio é que interessa o currículo do rapaz, se o que é preciso é dar “pancada” no pai?!

O mesmo podia eu dizer de mim próprio, desde que comecei a apanhar por tabela aos 29 anos, após Abril de 1974. A extrema-direita dizia que Mário Soares tinha um palácio em Paris (apesar de ele ter vivido num pequeno apartamento) e um jornal supostamente de esquerda e apoiante de Ramalho Eanes dizia que eu tinha casas de férias no Algarve (e recusou-se a publicar o meu desmentido, dizendo que isso não tinha importância nenhuma). Também nunca se preocuparam com o meu currículo profissional e político antes do 25 de Abril. E por que raio é que lhes interessaria o currículo do “sobrinho”, se o objectivo era atingir “o tio”?!

Meu caro Mário, prepara-te para levares com a implacável maldição da família, que a comunicação social (?) te há-de atirar à cara até ao fim dos teus dias!”

Alfredo Barroso

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