Casa de Ramalde

“A Casa de Ramalde foi solar da família Leite desde a primeira metade do século XVI. Nessa época, o edifício era bastante simples, tendo sido parcialmente integrado na nova construção projectada por Nasoni já no século XVIII, ou mais concretamente numa data próxima daquela que se encontrou na capela anexa – 1746. De entre os elementos que Nasoni terá incorporado, destaca-se a torre, que se mantém ao centro da nova construção setecentista. Esta e a ampla escadaria da fachada retomam modelos já ensaiados na Quinta do Chantre, uma das obras mais significativas de Nasoni no contexto da arquitectura nobre rural portuense (SMITH, 1966, p. 143).

Saliente-se, no entanto, que muito embora Robert Smith atribua a reconstrução da Casa de Ramalde a Nicolau Nasoni não existem, até à data, referências documentais que comprovem esta ideia; ainda que a mesma seja relativamente bem aceite pela generalidade dos investigadores (FERREIRA ALVES, p. 310).

O edifício actual e que remonta ao projecto do século XVIII, apresenta planta rectangular, de dois pisos e capela de uma só nave, que Nasoni terá ligado ao solar através de “uma passagem em forma de quadrante” (SMITH, 1966, p. 143). A fachada do solar é mais austera que a de Chantre enquanto que o alçado da capela, dedicada a São Roque, apresenta uma linguagem severa, à excepção da pedra de armas no frontão, interrompido sob o campanário sustentado por uma peanha. A capela contém no seu interior o túmulo de João Leite Pereira, também atribuído a Nasoni. Todo o conjunto é delimitado por um amplo muro, que integra o solar, a capela, uma área de terrenos agrícolas e um jardim de gosto barroco.

Mas, e de acordo com Robert Smith, o que mais distingue a Casa de Ramalde e lhe confere alguma relevância no âmbito dos projectos de Nasoni, é o carácter neo-gótico que o arquitecto imprimiu a este solar; num revivalismo avant la lettre, que coincide cronologicamente com as experiências iniciais doGothic Revival inglês, pela mão de Batty Langley. De facto, na Casa de Ramalde encontram-se elementos de cariz gótico, muitos dos quais se mantiveram da construção anterior, conjugados com volutas, numa fusão estilística de padrões antigos e modernos que retoma modelos utilizados por Batty Langley num livro editado em Londres, à época (SMITH, 1966, p. 143). Um gosto que se encontra ainda em outras obras suas – casa do Dr. Barbosa, Torre da Prelada ou portada de Santa Cruz do Bispo.

A Casa de Ramalde é também conhecida como Casa Queimada, devido ao grande incêndio sofrido aquando das invasões francesas. Em 1870 o então proprietário empreendeu esforços para recuperar o solar e a capela, que seriam reconvertidos em Museu Nacional de Literatura, em 1968. Este último encerrou a sua actividade em 1988, tendo sido o edifício entregue ao então IPPC. Actualmente acolhe a Direcção Regional do Porto do IPPAR.” 

Rosário Carvalho

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