É urgente combater a desinformação

JUnker ralha c eurodeputados

“Era previsível que a direita parlamentar e outros membros do PSD e do CDS, incluindo  comentadores seus apoiantes e  jornalistas, não elogiassem nem apoiassem o projecto de orçamento do governo do PS. Porém, a radicalização que assumiram e que teve o seu momento mais grotesco na repreensão do presidente da Comissão aos euro-deputados portugueses no Parlamento Europeu, é qualquer coisa de inédito.

Essa radicalização tem as suas raízes no facto de a direita continuar a ter dificuldade em aceitar a legitimidade do governo e ter começado a perceber que António Costa tem sido capaz de cumprir promessas eleitorais e ao mesmo tempo manter o apoio do BE e do PCP. Mas o que mais lhe custa a suportar é o facto de o governo socialista mostrar que, afinal, há alternativa à austeridade cega do governo PSD-CDS.

Deve dizer-se que os jornalistas tiveram um importante papel na radicalização em torno do orçamento. Basta ler as notícias e os artigos de opinião publicados nos dias que se seguiram à entrega em Bruxelas do draft do orçamento, totalmente acríticos relativamente à Comissão e repetidos à exaustão nas televisões, rádios e jornais, para perceber que o ambiente de crispação e radicalização em torno do orçamento foi construído pela Comissão com o apoio dos media portugueses.

Não há memória de um processo de negociação de um draft de orçamento ter sido perturbado e boicotado por tão gigantesca manipulação da informação, onde as fugasorientadas intercalavam com opiniões de porta-vozes e afirmações contraditórias dos próprios comissários.

Começa agora a notar-se um recuo de políticos e de jornalistas, percebendo talvez que foram demasiado longe nos danos causados à imagem do País. Dizem agora que desejam que Bruxelas aprove o orçamento, depois de tudo terem feito para que assim não fosse.

O governo foi capaz de resistir ao combate desigual da direita e dos media portugueses. O primeiro-ministro manteve a serenidade mesmo quando tudo parecia desabar sobre ele. Seguro das suas convicções sobre a justeza do seu orçamento mostrou firmeza perante a Comissão e mesmo cedendo em alguns pontos, já que é essa a essência de uma negociação, foi capaz de defender o essencial das políticas que pretende implementar.

O processo que rodeou a discussão do draft do orçamento deve servir para o governo ter cada vez mais em conta a necessidade de ter uma política de comunicação muito clara e atenta às estratégias manipulatórias de entidades oficiais nacionais e internacionais, prevenindo e evitando os efeitos nocivos dessas estratégias. A desinformação combate-se com mais informação, sobretudo, com transparência e diálogo.

Num país com informação televisiva “ao minuto”, preenchida em grande parte por opiniões, comentários e debates frequentados por participantes mais interessados na manipulação do que no esclarecimento, a vertente comunicacional do governo não pode ser descurada, devendo mesmo ser profissionalizada.”

Estrela Serrano

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