Linhagem

“A mulher ou o homem que vamos eleger hoje para Chefe de Estado dará continuidade à linhagem estabelecida, a partir de Outubro de 1910, por Teófilo Braga. Teófilo, que era poeta e filósofo, foi «de facto», entre 6 de Outubro de 1910 e 23 de Agosto de 1911, o primeiro Presidente da República. Voltaria a sê-lo após a revolta de 14 de Maio de 1915, que levou à resignação de Manuel de Arriaga (1911-15). Sucederam-lhe Bernardino Machado, que exerceu o cargo duas vezes (1915-17 e 1925-26); Sidónio Pais (1917-18, assassinado); João do Canto e Castro (1918-19); António José de Almeida (1919-23); Manuel Teixeira-Gomes (1923-25), escritor notável que trocou o tédio da função pelo hedonismo de Bougie. A carta de resignação exprime a vontade em dedicar-se exclusivamente à literatura. Teixeira-Gomes foi para a Argélia fazer o mesmo que anos mais tarde faria Paul Bowles em Marrocos. É então que Bernardino Machado regressa, cumprindo o seu segundo mandato.

O golpe de 28 de Maio de 1926 instaura a ditadura militar, e José Mendes Cabeçadas, oficial da Armada, assume o cargo de PR durante um mês. Sucede-lhe Manuel Gomes da Costa, oficial do Exército, que exerce o cargo durante dez dias. Sucede-lhe o general António Óscar de Fragoso Carmona (1926-51), titular do cargo até morrer, ou seja, durante cerca de 25 anos. Carmona foi, em simultâneo, o último Presidente da ditadura militar e o primeiro da ditadura civil. Entre a sua morte, em Abril de 1951, e a eleição do sucessor, em Agosto do mesmo ano, o cargo de PR foi exercido por Salazar.

O sucessor de Carmona foi o general Francisco Craveiro Lopes (1951-58), mais tarde marechal da Força Aérea. Sendo do domínio público as suas simpatias pela Oposição moderada, Salazar impediu um segundo mandato. Sucedeu-lhe o almirante Américo Thomaz (1958-74), fonte inesgotável do anedotário nacional. Thomaz foi deposto pelo golpe militar de 25 de Abril de 1974.

Com o colapso do Estado Novo, António de Spínola, general do Exército, foi nomeado PR pela Junta de Salvação Nacional. Exerceu o cargo durante cinco meses, resignando na sequência da abortada manifestação da Maioria Silenciosa, agendada pela extrema-direita para 28 de Setembro de 1974. Por decisão da Junta, sucede-lhe Costa Gomes (1974-76), outro general do Exército.

Após a aprovação (1976) da Constituição da República, todos os presidentes cumpriram dois mandatos: Ramalho Eanes (1976-86), o único militar; Mário Soares (1986-96); Jorge Sampaio (1996-2006) e Cavaco Silva (2006-16).”

Eduardo Pitta

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