Esplendor presidencial entre as bananeiras

Presidente da República voltou a deitar uma acha para a fogueira do impasse político a partir da Madeira

“As eleições foram a 4 de Outubro. Hoje, dia 18 de Novembro, continuamos sem governo – Passos caiu há uma semana com a rejeição da Assembleia da República, encontra-se em gestão, e, como disse Cavaco Silva segunda-feira, poderia até estar cinco meses em gestão que nada de mal aconteceria. Não vale a pena tentar interpretar com o mínimo de lógica os “sinais” de Belém. Se o Presidente, depois de interrogado sobre a crise política presente, sente necessidade de esclarecer que a sua resposta remetia, não para o presente, mas para as crises políticas de 1987 e de 2011, está tudo dito.

Nesta fase, movido pelo ódio à possibilidade de governo PS com o apoio da esquerda parlamentar, o que diz Cavaco pode não ser necessariamente o que fará Cavaco. É provável que, em última análise, tenda a tomar uma posição “institucionalista” – dar posse a António Costa, nem que seja porque a decisão contrária, deixar Passos Coelho em gestão, é o pior que pode fazer à sua área política. E nos últimos tempos, a começar pela péssima decisão de não ter convocado eleições em Junho (a data com que se tinha comprometido caso António José Seguro tivesse acedido a apoiar um governo Passos em consequência da crise do irrevogável), o Presidente da República está preocupado acima de tudo com o que mais favorece a sua área política. Sabendo que nem Passos Coelho quer ficar a gerir um governo de gestão, o que para ele pode ser politicamente penoso e não trazer ganhos eleitorais, talvez Cavaco Silva tenda a dar posse a António Costa. 

Independentemente do final da crise política, a viagem à Madeira não foi uma perda de tempo, foi o esplendor do “pensamento cavaquista” no momento presente. A ameaça quase directa de manter Passos em gestão, lida em conjunto com a defesa dos sucessos do governo sobre “a almofada financeira” e a “queda do desemprego”, mostra que acabar o mandato com dignidade já não é um objectivo do Presidente da República. Os últimos meses do mandato ameaçam ser dolorosos.”

Editorial do i

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