Cecília Jimenez: uma espécie de Passos Coelho

Cecília Jiménez quis fazer o impossível. Encantadora e cheia de  boas intenções, pretendeu pegar em algo belo e degradado pelas vicissitudes do  tempo e malfeitorias do homem e dar-lhe vida. Recuperar a grandiosidade e  dignidade de outros tempos. Faltou-lhe o jeito. Passos Coelho, igualmente de  pincel na mão, chegou cheio de fé, com o intuito de refrescar a alma lusa,  refundar a confiança dos portugueses dando-lhes esperança, sanar as feridas e  repintar a tela destruída pelo furacão socialista socrático. Pior era  impossível, pensava-se.

O crédito era tal que o pior cenário pintado seria sempre  melhor que o pântano em que nos encontrávamos. Mas Cecília, perdão, Pedro,  conseguiu em pouco mais de um ano provar que nisto do restauro, perdão, da  política, o impossível é uma questão de tempo. Os restauros da dona Cecília, em  particular este que se tornou mundialmente famoso – “Ecce Homo” da Igreja de  Borja (que maravilha de recuperação) ao lado do que este governo tem feito ao  país parece uma tela magistralmente tocada por um qualquer Monet de Massamá.

Cecília transformou Jesus Cristo numa espécie de urso asiático.  Pedro transformou Portugal num país de ursos. Cada um deles no seu estilo amador  e respectiva área de intervenção – Passos a tentar ser político e Cecília a  destruir pinturas do XIX – motivados e cheio de boas intenções. Mas de boas  intenções estão o inferno e a secção de quadros da Moviflor cheios.

Ambos pedem tempo. Cecília diz não entender o alarido à volta  da sua “obra”, afirma que não a deixaram terminar o restauro (medo…).   “Toda a gente que entrava [na igreja] me via a pintar. Nunca o fiz às  escondidas”. Pedro também diz fazer tudo às claras, que melhores dias virão e  que esta porcaria toda tem um propósito, um mal necessário para o ‘restauro’ do  país em curso. Mas o pintor é fraco, imaginemos portanto o resultado final.

Portugal é um “Ecce Homo” da Europa, um fresco pintado por um  conjunto de amadores. E se Cristo já sofreu tudo o que tinha a sofrer nas mãos  de romanos, judeus e da senhora Cecília, a nós ainda nos falta sofrer um bocado  nas mãos de Pedro.

Tiago Mesquita

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