Até sempre…

Publicado Abril 30, 2016 por alfredofontinha
Categorias: Sociedade

Tudo tem a sua época.

Hoje é dia de fazer uma pausa, não sei se curta, se longa. Será o tempo que o tempo entenda quanto tempo seja.

Obrigado a todos que me aturaram.

a.fontinha

Para a direita radical o Papa é do MRPP

Publicado Abril 30, 2016 por alfredofontinha
Categorias: Política

“É muito interessante ver aquilo que são os bas-fonds da nossa direita radical, entre comentários, blogues e twitter.


Peço desculpa ao Papa por usar o seu Santo nome em vão. Peço desculpa ao MRPP ao chamá-lo para estas coisas entre a santidade e asneira. Mas é muito interessante ver aquilo que são os bas-fonds da nossa direita radical, entre comentários, blogues e twitter.

Não, não estou a falar do PNR, estou a falar de apoiantes do PSD e do CDS, do extinto PAF, muitos “jotas”, mas também gente adulta que enfileirou nos últimos cinco anos do “ajustamento”, vindas de alguns think tanks e amadores da manipulação comunicacional que se formaram nestes anos. São também alguns colunistas no Observador, no Sol, no extinto Diário Económico e nos sitesque estes jornais patrocinam com colaboração gratuita para formar uma rede de opinião que funciona para pressionar os órgãos de comunicação que, muitas vezes, de forma muito irresponsável, a ampliam em “informação” como oriunda das “redes sociais”. Não são um grupo muito numeroso, mas escrevem todos os dias e em quantidade, parecem estar de patrulha nas caixas de comentários e no twitter e são muito agressivos. Não se coíbem em usar citações falsas ou manipuladas, boatos, calúnias e insultos (Costa é o “monhé” e o “chamuça”, por exemplo). É na vida política portuguesa um fenómeno novo e não adianta dizer que o mesmo existe à esquerda, porque não é verdade.

Não estou a falar de um obscuro subproduto das proclamações mais comedidas de partidos como o PSD (embora raras) ou do CDS, mas de uma realidade mais profunda e espelhar visto que o tom e o mote são dados por colunistas e “pensadores” de direita mais elaborados. Para eles, Portugal é socialista desde o 25 de Abril, com excepção dos anos do governo Passos-Portas, e é governado por uma “oligarquia” de políticos e sindicatos ao serviço do tamanho do estado, como garantia dos seus proventos. Este conceito de oligarquia é interessante porque inclui os funcionários públicos, o aparelho sindical, todos os que fazem greve em empresas públicas, e todos os políticos que são apresentados como o braço armado dessa oligarquia. A oligarquia muito curiosamente não inclui os grandes empresários, os homens da finança, os lóbis junto do poder político, como os escritórios de advogados de negócios, e os donos dos offshores. Bagão Félix faz parte da oligarquia, junto com Carvalho da Silva, Boaventura Sousa Santos, e Ana Avoila, mas Eduardo Catroga, Carrapatoso, Ferraz da Costa, Bruno Bobone e Paulo Portas não.

O PCP é o Diabo, e o seu anticomunismo é o da Guerra Fria em versão salazarista, embora sejam muito amáveis com Putin (como Trump, aliás), com os chineses e com subprodutos do comunismo de partido único como o MPLA. Gostam do Partido Comunista Chinês, dono da EDP e da REN e de muito mais coisas, e não gostam do PCP. O BE, para eles, é hoje quem governa Portugal junto com os comunistas e são uma “raparigada” esganiçada. O PS tornou-se um partido da esquerda radical e tudo o que não alinhe com o “ajustamento” e a sua ideologia, são perigosos esquerdistas e socialistas. Depois de mim, e de Manuela Ferreira Leite, soma-se agora, no PSD, José Eduardo Martins que, como todos sabem, é um perigoso esquerdista. São todos também “socratistas”. A julgar por aquilo que eles consideram esquerdista, radical, comunista, o nosso bom Papa Francisco é do MRPP. Pior ainda, está muito à esquerda do MRPP.

(José Pacheco Pereira, in Público, 30/04/2016)

“Quizás, quizás, quizás”

Publicado Abril 29, 2016 por alfredofontinha
Categorias: Política

“O atual PSD faz lembrar aquela música cubana interpretada, entre outros, por Nat King Cole, que reza assim: “Y así pasan los días; Y yo, yo desesperado; Y tú, tú contestando; Quizás, quizás, quizás.”

Desde que ganhou as eleições mas perdeu o poder, o PSD anda desconsolado, sorumbático, incapaz de reagir à realidade das coisas. Fosse uma pessoa e devia ir ao médico pedir uns antidepressivos ou, pelo menos, andar de bicicleta, comer gengibre, tomar uns suplementos de ginkgo biloba, sei lá. O estado em que está é penoso. Não tem propriamente uma estratégia, tem um estado de alma deprimente que não se cansa de anunciar ao país. Diz mal de tudo, insistindo que no seu tempo é que era bom. Conversa que os portugueses conhecem bem. Vegeta num “quizás, quizás, quizás”, esperando que as coisas corram mal ao Governo. Mau agouro que não se cansa de repetir. Mas também para o qual tenta contribuir, na Europa, no mundo, onde ainda consegue ter alguma influência. Não é bonito de se ver.

Numa tal prostração não parece ter ânimo para pensar. Pois se alguém o fizesse depressa perceberia que este comportamento não leva a lado nenhum. Por vários motivos. Desde logo porque a geringonça funciona. Não à maneira da velha política e seus jogos de hipocrisia. Aliás, o próprio epíteto, inventado por Paulo Portas como muito depreciativo, tornou-se num “petit nom” afetuoso. Do mesmo modo, as constantes exigências de votos de fidelidade absoluta não surtem efeito. A direita não entende a inovação. Os quatro partidos estão unidos no essencial, mas assumem as suas divergências particulares. O PS acha que consegue reformar a Europa por dentro, como é próprio da social-democracia, a restante esquerda quer sobressaltos, como cabe a partidos mais radicais. Está bem assim. Ao contrário da velha política, que numa coligação impunha que se escondessem as diferenças, na atual não há nada a esconder. Vide o CDS no anterior governo.

Hoje temos uma vida democrática mais dinâmica e sobretudo mais honesta. E também mais robusta. Ninguém tem de abdicar de nada. Ninguém tem de engolir sapos. O que só dá força ao acordo e promete que o mesmo está para durar. E, já agora, da forma como as coisas têm corrido, mesmo que um dia algum facto imponderável imponha o fim do acordo à esquerda e novas eleições, estes partidos sairão reforçados. Porque provaram que têm utilidade, não são só má-língua. O PSD não se iluda.

O outro motivo, tão ou mais forte, diz respeito ao comportamento do novo Presidente da República. Não passa dia em que Marcelo não tire o tapete a Passos Coelho, não menorize a sua birra infantil, não sugira outra atitude ao partido em nome da pacificação do país. Cada elogio de Marcelo a António Costa, e têm sido muitos, atira Passos Coelho para o canto, para a irrelevância, em que pelos vistos gosta de estar à espera de um milagre.

Com poucas semanas de mandato, embora bastante frenéticas diga-se, Marcelo já conseguiu um outro feito. Apagou aquela figura esguia e cinzenta que durante décadas andou a puxar o país para baixo. Ainda se lembram do tristonho Cavaco? Talvez mesmo só Passos Coelho que perdeu o seu maior apoio.

O estratégico Marcelo Rebelo de Sousa quer afastar Passos Coelho para de seguida trazer o PSD para o centro e assim dar-lhe novo folgo e oportunidade de regresso ao poder. Não há outra maneira sob risco de o CDS subir aquilo que o PSD vai descendo. Mais cedo ou mais tarde haverá quem no PSD entenda que isto é claro e inevitável.”

Leonel Moura

Ai aguenta, aguenta!…

Publicado Abril 28, 2016 por alfredofontinha
Categorias: Sociedade

E Fernando Ulrich acaba de ser impedido de continuar a ser presidente executivo do BPI. Tem 63 anos.

Na assembleia geral de hoje os accionistas, entre os quais Isabel dos Santos, não permitiram a alteração de estatutos na parte que diz respeito à eleição de membros da Comissão Executiva com mais de 62 anos.

Ulrich vai ter de aguentar, mas no caso dele o fardo será muito leve.

a.fontinha

O Sequeira é nosso…

Publicado Abril 27, 2016 por alfredofontinha
Categorias: Cultura e Lazer

“Com uma doação de 35 mil euros, a Fundação da Casa de Bragança completou os 600 mil euros necessários para acrescentar ao acervo do Museu Nacional de Arte Antiga o quadro Adoração dos Magos (1828), de Domingos Sequeira.

Foram seis meses de crowdfunding intenso, no qual participaram anónimos, figuras públicas e instituições (a Fundação Aga Khan contribuiu com um terço do total, ou seja, com 200 mil euros), tais como a Fundação Luso-Americana, a EDP, a Fundação Carmona e Costa, o ACP, a Galeria Jorge Welsh, a Sociedade Portuguesa de Autores, etc. Presumo que antes do Verão já se possa ver a tela exposta no MNAA.”

Fonte: Da Literatura

É preciso avaliar o que fizeram a Portugal

Publicado Abril 27, 2016 por alfredofontinha
Categorias: Política

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“Sucesso das exportações, saída limpa, ajustamento, reformas, recapitalização da banca, aumento do turismo, criação de emprego, emigração, pagamento da dívida ao FMI, foram tantos os sucessos de Portugal em tão pouco tempo que apetece perguntar porque nos sentimos tão mal.

Se exportamos tanto e criamos tantos empregos como é que isso é possível sem que tanta riqueza produzida e vendida não se apareça reflectida no crescimento? Se tivemos uma saída tão limpa porque razão teremos de andar vários anos a recuperar da caca que foi feita? Se foram feitas tantas reformas em tão pouco tempo, incluindo uma profunda reforma do Estado apoiada num guião que pagámos ao FMI porque se fala tanto de mais reformas?

A troika e, em particular, técnicos anónimos e ambiciosos da Comissão e do BCE, usaram Portugal para testar as suas teses académicas, durante quatro anos os portugueses foram ratinhos de laboratório ao serviço da elaboração de teses e de papers, o ridículo da situação foi ver um ministro das Finanças, um economista cinzento campeão de papers, a escrever o prefácio da obra inspiradora da politica económica neo-salazarista que nos foi imposta.

A experiência ainda não acabou, parece que agora é a banca portuguesa que está no banco de testes. A dimensão da economia portuguesa é a ideal para realizar este tipo de experiências, se a coisa correr mal não tem grande impacto e há por cá uns políticos ambiciosos dispostos a chegar ao poder a qualquer custo, não hesitando em atribuir a outros as culpas pelos erros alheios. Essa postura traidora ser-lhes-à paga em apoios financeiros e idas a Berlim ou a Frankfurt.

Bancos pequenos em situação difícil, bancos médios com problemas de financiamento e um grande banco público com carências de capital, uma oportunidade única para testar as regras europeias da concorrência e para que os técnicos do BCE façam experiências de falências controladas com os custos suportados pelas próprias cobaias. Acontece com Portugal o que sucede com os condenados à morte na China, no fim da experiência ainda são os portugueses a pagar a bala.

É tempo de o país parar e reflectir, de pensar o que se passou realmente, saber qual foi o papel de todos os intervenientes, mortos ou vivos, residindo em Portugal ou trabalhando em Washington, políticos portugueses ou académicos de Harvard, instituições nacionais ou gabinetes escondidos no BCE, na Comissão ou no FMI. 

É preciso avaliar o custo e os benefícios do que foi feito, saber o que nos foi imposto e o que foi decidido pelos nossos neo-salazaristas a coberto do estatuto de protectorado, as reformas que foram feitas, as que não foram feitas e as que ficaram por fazer, o papel dos governos, de Cavaco Silva e de Durão Barroso no processo político que conduziu ao resgate e, posteriormente, às sucessivas alterações secretas do memorando.

Sem se perceber o que se passou não faz sentido falar em reformas ou em consensos.”

O Jumento

O 25 de Abril e a vitória dos abutres

Publicado Abril 27, 2016 por alfredofontinha
Categorias: Política

 

“As chamadas “revoluções” são, na maior parte dos casos, a substituição de um grupo que tinha constituído uma linhagem por um outro, normalmente de bastardos, de segundos filhos, de arrivistas. Em Portugal foi assim com a crise de 1385, com a restauração de 1640, com a revolução liberal, com a República, com o Estado Novo. Com o 25 de Abril de 1974 não foi diferente.

Os “capitães de Abril” correspondem aos conjurados de 1640. Foram instrumentos. Os conjurados esgotaram-se no momento em que entregaram o poder ao Duque de Bragança, acobardado em Vila Viçosa. Os capitães, depois de se terem eliminado uns aos outros (como aconteceu aos do 28 de Maio de 1926) entregaram o poder aos políticos que constituíram o Bloco Central, tal como os militares vindos de Braga o tinham entregado a Salazar, a Cerejeira e a uns lentes de Coimbra, herdeiros do miguelismo que se crismou de integralismo, ao serviço da chamada Confederação dos Interesses Económicos e dos latifundiários.

Falar do 25 de Abril é falar do pós 25 de Abril e de como os “filhos segundos e colaterais”, dos chacais que tomaram de novo conta do poder em Portugal. Diga-se, em abono da verdade, que a substituição de casas reinantes em Inglaterra não é diferente deste modelo e que a revolução francesa seguiu o mesmo figurino, como as revoluções russas, a de 1917 e a de Putin de há poucos anos. No final da agitação revolucionária, dos PREC’s de cada um, os poderes reconstituem-se como as baratas que regressam após uma desinfestação.

Refletir sobre o 25 de Abril é identificar os que, como os abutres, estavam a aguardar uma oportunidade. No seu caso, uma oportunidade para se fazerem comendadores, banqueiros, agentes internacionais, concessionários de obras públicas, mestres de leis, compradores dos bens do Estado postos em leilão, como já havia acontecido no vintismo do século XIX.

O Bom do 25 de Abril.

O 25 de Abril de 1974 provocou dois grandes e positivos abalos no velho tronco da história de Portugal:

– A democracia liberal e libertária. Pela primeira vez os portugueses foram considerados como cidadãos. O 25 de Abril entregou Portugal aos portugueses. As escolhas posteriores são dos portugueses. Esse extraordinário feito teve como custo associado o de revelar as nossas fraquezas, os nossos baixos níveis de cidadania, as deformações causadas por séculos de fatalismo, de sebastianismo, de crença em que as divindades resolverão os nossos problemas. O povo em geral, diga-se, prefere ir a Fátima e ao Futebol do que ir às urnas votar.

– O problema colonial. O segundo grande assunto resolvido pelo 25 de Abril foi o problema colonial, que se arrastava desde que os republicanos do século XIX promoveram a excitação patriótica contra o Ultimato inglês. A questão colonial era como o catarro de um fumador. Os governos gostavam de fumar – isto é de ter colónias – mas não sabiam como resolver o problema do catarro. O 25 de Abril resolveu esse problema. Acabou-se o fumo, mas resta algum catarro de ressentimento.

Resolvido o problema da responsabilidade (mais do que o da falta de liberdade) e o das colónias, Portugal voltou à velha e histórica questão da chegada ao poder de uma nova matilha que reproduz os comportamentos da anterior, simplesmente com mais fome e ansiedade. Logo ainda com menos escrúpulos.

Os bárbaros tomam a cidade – O pior do 25 de Abril

– A reprivatização da Banca, com a vinda dos Espirito Santo, nobilitados pelo Estado Novo, a criação do BCP, uma aliança entre a Opus Dei e os arrivistas que defenestraram os industriais e banqueiros nortenhos mais antigos (Cupertino de Miranda e Pinto Magalhães, p.ex), com os regressos triunfais de salvadores como Champalimaud e Melos e respectivas cortes, que iniciaram a espanholização do sistema financeiro e a transferência da actividade produtiva para a especulativa.

– A destruição do tecido produtivo nacional na indústria e na agricultura como condição para a adesão à CEE e ao Euro. A distribuição dos “Fundos Estruturais” pelo grupo escolhido para nos entregar à penhora, com as brutais transferências de populações e de riqueza do interior para o litoral. O endividamento público e privado, com as respectivas PPP. Foi este o modelo com que nos apresentamos às portas da sopa dos pobres da CEE.

– O cavaquismo, que representou a tomada da cidade pelos bárbaros. O regime do novo-riquismo tem um retrato à la minute: o BPN e um credo: o Compromisso Portugal! Tanto o BPN como o Compromisso Portugal eram uma burla. Nem BPN era um banco, nem o compromisso era com Portugal.

Pelo meio disto ocorreram outros assaltos de bastardos ao poder, mas nenhum tão prolongado e tão organizado como o do cavaquismo.

O monumento, o emblema e os heróis do pós 25 de Abril

As épocas mais marcantes da nossa História têm, cada uma, o seu monumento. Os Jerónimos para as descobertas, Mafra para o colonialismo do Brasil, o “monumento do empurra”, em Belém, para o Estado Novo. O monumento do pós 25 de Abril é a EDP!

A entrega do sector essencial da produção e distribuição de energia a um Estado estrangeiro feita pelo governo de Passos Coelho e Paulo Portas é a pedra de fecho do cavaquismo. Em vez da tradicional estrofe, «Ditosa Pátria que tais filhos tem», o estandarte do cavaquismo bem poderia ter o lema: «Tudo se vende, até a luzinha para ler à noite!»

Os cravos, como símbolo do 25 de Abril e da reconquista da dignidade por um povo, foram substituídos pelos dois submarinos que o mais escorregadio dos arrivistas comprou. O Tridente e o Arpão servem para defender as barragens e as torres de distribuição de electricidade dos chineses, os aeroportos dos franceses, as pontes dos ingleses, perante a apatia da maioria e o aplauso dos inquisidores da religião única do neoliberalismo.

Falar dos heróis do pós-25 de Abril é falar da ala dos namorados que se reuniu à volta de Cavaco Silva e do seu condestável Oliveira e Costa, da sua Mocidade Portuguesa com Passos Coelho e Portas. Todos gozando de boa saúde e amplas liberdades!

São os únicos? Claro que não… com uma resma de papel ao lado cada um pode fazer a sua lista dos que constituem hoje a classe reinante em Portugal…”

Carlos de Matos Gomes