O QI do professor Catroga

Publicado Março 1, 2012 por alfredofontinha
Categorias: Política

Há dias, Eduardo Catroga disse uma coisa extraordinária. Tendo sido escolhido para presidente da EDP, explicou a decisão, assim: “Eu era um candidato natural”.

Na mesma altura, estando eu em Angola, li num jornal local a entrevista também extraordinária de um empresário. Perguntado sobre qual a refeição mais cara que teve, o empresário respondeu: “Ainda há dias, num almoço em Amesterdão, uma garrafa de vinho custou-me 1500 dólares.” Qualquer candidata a Miss Mundo saberia dizer que se tivesse esse maço de notas dá-lo-ia a um hospital pediátrico…

O despudor do empresário angolano era de quem ignora tudo da política (isto é, da relação de cada um com a gente à volta) a ponto de acirrar os que têm muito pouco e justamente se ofendem com a arrogância dos poderosos.

O caso de Catroga é politicamente parecido. Em Portugal há escândalos recorrentes com o termo “boys”. Daí as nomeações, que deveriam ser sempre na base da competência (o que é o caso Catroga/EDP), exigirem também discrição política. Ora alguém achar-se “candidato natural para a presidência da EDP” é um estardalhaço desnecessário e arrogante que não pode senão excitar indignações.

Recorro ao imaginativo falar luandense para mostrar que ninguém se deixa enganar. Por lá se explica o que leva alguém a conseguir um alto cargo: “Esse tem um grande QI!” E não, não se referem a Quociente de Inteligência, mas sim a ter um grande e poderoso Quem Indicou.

Ferreira Fernandes no DN

Dias de servidão

Publicado Março 1, 2012 por alfredofontinha
Categorias: Política

A tese do aluno bem comportado, o que papagueia a “sebenta” do professor e vai até mais longe do que ele exige, esteve em voga nos governos de Cavaco e deu no que hoje se sabe.

O Governo PSD/CDS adoptou idêntica estratégia de submissão acrítica. Foi humilhante ver os olhos luzentes de alegria com que Vítor Gaspar deu conta ao país que os capatazes dos mercados que, por intermédio da actual maioria, nos governam, lhe deram nota positiva (um 10 interrogado mas, de qualquer maneira, uma nota positiva). E, quando Olli Rehn, depois de umas carícias (“Lindos meninos…”), anunciou ainda mais “desafios” e “sacrifícios”, Gaspar há-de decerto ter murmurado: “Venham eles!”.

Diogo Feio, eurodeputado do CDS, é um bom intérprete dessa estratégia. Ao “Público” diz que “Portugal é bem visto por ter uma maioria de governo sólida” e uma situação social “pacificada”. O único problema, parece, é haver (ainda) direito à greve: “Nós somos observados ao mais pequeno pormenor e cada greve que é feita mancha a imagem de Portugal”.

Não mancham “a imagem de Portugal” o empobrecimento generalizado que em tempos o primeiro-ministro anunciou como objectivo político do Governo, o desastre social, os afrontosos números do desemprego, mas o facto de os trabalhadores serem mal comportados e lutarem pelos seus direitos. A sra Merkel deve ter gostado de ouvir, afinal sempre há portugueses “mais alemães do que os alemães”.

Manuel António Pina no JN

E agora, Presidente?

Publicado Fevereiro 28, 2012 por alfredofontinha
Categorias: Política

Há um ano e surpreendido por mais um PEC, Cavaco Silva parecia refém da situação. Dizia então que a sua margem de manobra para agir preventivamente se tinha reduzido e explicava porque – os partidos, o processo democrático – se mantinha à margem da solução.

Em Março, Sócrates estava entrincheirado entre a austeridade e a demissão. Na altura, o afastamento parecia sadio: o cheiro a eleições impedia Cavaco de fazer a apologia da alternativa. Foi há um ano mas ainda hoje, curiosamente, o presidente parece reduzido a uma isenção não-militante e a postura é preocupante porque os números da receita fiscal que apareceram em Fevereiro parecem confirmar o inevitável. Este défice, este caminho, só se fará com mais austeridade.

Como Sócrates teve os seus PEC (e onde cada um desmentia o anterior) também Passos terá necessidade de ajustar (sempre para pior) a receita fechada em Maio com a troika. A derrapagem na receita – mais do que o atraso no corte da despesa – promete atirar esta consolidação orçamental para a irrelevância. Paul Krugman, o economista, dizia isso: não vale de nada cortar 1% ao Estado quando a contração geral anula esses ganhos. Cavaco, o presidente também já apontou limites para os sacrifícios. A pergunta agora é: com mais austeridade mas com menos efeitos à vista, o que dirá Cavaco?

Editorial do Dinheiro Vivo  

Globalização desregulada

Publicado Fevereiro 28, 2012 por alfredofontinha
Categorias: Política

“Crise profunda do capitalismo. Não sou eu que o diz. É Michel Rocard, socialista e ex-primeiro-ministro de França, na época de François Mitterrand. Com 82 anos, acaba de publicar um livro intitulado “Mes points sur les i”. Não o li ainda, porque não chegou às livrarias portuguesas. Mas permito-me refletir sobre uma entrevista que deu a Le Monde de 27 de Fevereiro último. Diz ele: “o capitalismo entrou numa crise profunda, sem nenhum regresso à normalidade. Nada será como antes”. E acrescenta “a Direita acredita que podemos trabalhar mais e voltar a ter crescimento. É falso. A sociedade de amanhã será radicalmente nova. Será menos mercantil e menos cúpida”.

Não quer isto dizer que o capitalismo vai desaparecer, como tal, visto que ainda não se encontrou maneira de o substituir. Mas vai mudar radicalmente, “declarando guerra às finanças, tais como estão”, como disse François Hollande, que aliás é o autor do prefácio do livro de Rocard. E cita o exemplo de Franklin Roosevelt que pôs a finança toda contra ele, por ter imposto a separação absoluta entre os bancos de depósito e os de investimento. E a verdade é que durante sessenta anos o Mundo viveu ao abrigo de crises financeiras. A própria Inglaterra, “a pérfida Albion”, que é a casa-mãe do pensamento monetarista, começa a querer proteger-se dos excessos que contribuíram para criar a crise que hoje nos aflige. Cameron, o primeiro-ministro do Reino Unido, parece querer voltar à União Europeia, mas fazendo dela uma EFTA em ponto grande…

Numa palavra, não é o capitalismo, em si mesmo, que está em causa. É a sua desregulação monetarista, que tem de mudar, obedecendo a valores éticos, dominando os mercados especulativos e impondo as conquistas sociais, que trouxeram à Europa sessenta anos de bem-estar.”

Mário Soares no DN

Semanada

Publicado Fevereiro 26, 2012 por alfredofontinha
Categorias: Política

Esta semana o país ficou a saber que apesar de ter um Presidente que foge de putos pode dormir tranquilo, tem um primeiro-ministro corajoso, já o tínhamos visto enfrentar as perigosas ondas da Manta Rota, agora vimo-lo a enfrentar manifestantes irados, não o fez durante muito tempo mas fê-lo. O que os portugueses não viram foram a meia dúzia de metralhadoras Uzi escondidas debaixo das abas do casaco dos muitos seguranças que cercavam Passos Coelho.

Passos Coelho acaba a semana dizendo que não está jogando pingue-pongue com Cavaco Silva, isto porque o Presidente discordou desta política que parece um mil-folhas de austeridade. Passos Coelho tem razão, no pingue-pongue os adversários estão longe um do outro e não se atingem no rosto.

Onde parece que se está a jogar pingue-pongue é no terreno das previsões económicas com a bola da contracção da economia portuguesa a ir cada vez mais alta, mais um pouco de realismo e de menos optimismo nessas previsões e estaremos ao nível da Grécia. Com um orçamento falhado em 2012 os mesmos que ridicularizaram o Álvaro quando o Batanete da Rua da Horta Seca disse que 2012 seria o ano da mudança, dizem agora que 2013 será o ano do crescimento económico. Ainda não se percebeu se estão mesmo convencidos disso ou se estão a rezar.

Quem assume que está mesmo a rezar é a rapariga que é ministra e quem os agricultores calharam em sortes, a senhora parece especialista em rezas e pedinchice. Depois de meses de seca na agricultura a senhora veio a público com as suas propostas para o sector, com aquele ar competente que todos lhe conhecemos veio tranquilizar os agricultores, assegurou-lhes que ia pedinchar a Bruxelas e que sendo ela crente em Deus acredita que brevemente vai chover. Ainda não se sabe o resultado das preces e da pedincha, mas quanto a pedincha é certo que a rapariga é eficaz, tão eficaz que deu para arranjar um tacho para a mana arquitecta da ministra da Justiça, mas teve azar, a ministerial mana acabou por se demitir depois de lhe terem descoberto a careca.

Depois de o Gaspar o ter mandado calar em pleno Conselho de Ministros o Álvaro parece estar a vingar-se, com o Gasparoika escondido atrás do batalhão de soldados da GNR fortemente armados que lhe dão protecção contra algum português mais irritado, o Álvaro é agora a vedeta do governo, o homem do crescimento e da criação de 100 empregos por dia. Se considerarmos que a única proposta de investimento imaginada pelo Álvaro foi no sector do pastel de nata, é caso para dizer que vamos ter de comer muitos pastéis.

Jumento

Um político com crédito

Publicado Fevereiro 25, 2012 por alfredofontinha
Categorias: Política

Há um Santos Silva banqueiro (Artur) e um Santos Silva ex-ministro (Augusto), e foi naturalmente a este que se passou cartão porque o assunto era achincalhar: “Cartões milionários na Defesa”, titulou o Correio da Manhã.

O Santos Silva não milionário, afinal, era-o… O ministro da Defesa do último Governo tinha dez mil euros de plafond!, gritou o jornal, tão alto quanto o teto do cartão bancário. O CM tem a mais apurada pituitária dos jornais, se fosse escaravelho haveria de se chamar rola-bosta, quem gosta fica bem servido. E assim lá houve mais um episódio de indignação esganiçada.

Tudo normal, não fosse o tal Santos Silva não ser dos políticos que quando há suspeitas sobre as suas contas se negam a divulgá-las. A contracorrente do que é norma, o Silva do teto alto, em vez de deixar a suspeita assentar e esquecer, espevitou-a. É certo que começou por dizer, o que podia ser mero truque para protelar a explicação, que do cartão de serviço só gastara em serviço.

Oh filho, os fãs do rola-bosta querem é saber se bebeste Petrus à custa do povo… Mas não, o Silva do cartão não estava a protelar coisa nenhuma, tirou a coisa a limpo e exigiu que o Ministério da Defesa tornasse público o que gastara. E ontem soube-se: nos 20 meses em que foi ministro, do seu cartão super-hiper de dez mil euros, Augusto Santos Silva gastou uma média de 147,72 euros mensais.

Deixa-me fazer contas: dez mil, manchete; 147 euros, deve dar duas linhas.

Ferreira Fernandes no DN

À espera do reviralho

Publicado Fevereiro 24, 2012 por alfredofontinha
Categorias: Política

Vaias, insultos, manifestações e greves não servem para nada. Discursos também não. Portugal foi entalado pela Europa e só esta nos pode tirar do apuro. O país é pequeno, pobre e pouco influente. A margem de manobra é nula.

Não vale por isso a pena insistir em dois mitos que estão muito em voga. O primeiro diz respeito à culpa. Alguns fanáticos consideram Sócrates a origem de todos os males. Outros, concedem que a culpa não é de nenhum governante em particular mas da classe política no seu todo. Há ainda quem ache, na visão doméstica das contas públicas, que simplesmente se gastou de mais. Enfim, é convicção geral que de uma maneira ou doutra a culpa é nossa. Não é.

O Portugal contemporâneo não inventou nada. Cumpriu ordens. Fez o que tinha de ser feito. Tardiamente democrata, o país foi obrigado a fazer em poucos anos o que os outros levaram décadas. Da Europa veio o dinheiro e a imposição para se construírem estradas, hospitais, escolas e uns quantos devaneios. Aumentou-se a formação geral, passou-se do país rural da beatice, para o país moderno mais perto do modo de vida europeu. A Europa exigiu que os portugueses se desenvolvessem, se tornassem rapidamente mais civilizados, mais parecidos com os alemães. E foi o que se fez. Com empenho e talento, diga-se de passagem. Depois, quando menos se esperava, apareceu uma crise financeira nos Estados Unidos e, como o mundo anda todo ligado, a onda de choque depressa chegou ao velho continente. Veio então a ordem, em 2008, para se injetar dinheiro às carradas nos bancos. Foi o que Sócrates fez. Mas de pouco serviu. Tal como nas sequelas, o império financeiro contra-atacou. Chegados à chamada crise das dívidas soberanas, como o país de soberano já tem pouco, a troika aterrou.

Nesta história, o que podia Portugal ter feito? Quase nada. Ou será que se os governos anteriores tivessem eliminado alguns feriados, cortado nos salários dos funcionários públicos, poupado nas gravatas dos ministérios, o país estaria muito melhor? Que ilusão! Que demagogia!

Portugal não tem culpa, porque Portugal não tem culpa de ser pequeno, com pouca gente, sem grandes riquezas naturais, tirando o sol, não ter uma elite esclarecida, nem ricos que não sejam meros provincianos com dinheiro. Metade do século vivemos na idade média, a outra metade foi passada a tentar recuperar o tempo perdido. Esperavam melhor?

O segundo mito é o de que estamos em vias de resolver o problema. Não estamos. O atual governo acha que, ao secar a economia, está a criar as bases para a prosperidade. Não se vê como. A liquidez está a ser arrebanhada por todo o lado para pagar dívidas. Vendem-se ativos para pagar dívidas. Contraem-se novas dívidas para pagar dívidas, ou seja, fica tudo na mesma ou ainda pior. Como é que sem liquidez, sem empresas e com mais dívidas se pode sair da atual crise financeira? Não pode.

A coisa é tão óbvia que até dói. Vivendo nós numa sociedade do consumo, como é que sem dinheiro para consumir se podem criar empresas que produzam bens de consumo? Como é que alguém vai investir num negócio, numa fábrica, num produto, numa inovação? Onde estão os clientes? E mesmo os que respondem, com alguma justeza, que é na exportação que está a salvação, por um lado os nossos habituais clientes europeus também não estão melhor, e não é de um dia para o outro que se consegue transformar Portugal num país fortemente exportador. Falta dinheiro, falta tempo, faltam ideias e, já agora, também falta ânimo.
Estamos, portanto, e mais uma vez dependentes dos outros e a cumprir ordens. Desta vez chama-se austeridade e é isso que o nosso governo faz com gosto. Cortes e greves equivalem-se na irrelevância. Isto só muda quando a ordem mudar.

É assim que, neste preciso momento, estamos suspensos de dois eventos políticos europeus importantes. As eleições em França, já em Maio, e na Alemanha, para o outono do próximo ano. Se o poder mudar de mãos nestes dois países, se vier aí um reviralho europeu, talvez Portugal se safe. Senão é miséria e mais miséria. Tão simples como isto.

Leonel Moura

Ai Jesus!

Publicado Fevereiro 23, 2012 por alfredofontinha
Categorias: Política

Imaginem que depois do momento de informalidade que se seguiu à assinatura do Tratado de Lisboa, momento que foi celebrado com espumante Murganheira e que ficou para a história pelo “porreiro pá” segredado por José Sócrates a Durão Barroso, o então primeiro-ministro decidisse questionar a televisão que gravou e divulgou aquele momento.

Era um momento informal em que os estadistas se descontraíram depois de longas e difíceis negociações, as televisões apenas estavam a recolher imagens, as conversas eram de natureza particular, não sendo aceitável que uma televisão se aproveitasse para saber das intimidades de um presidente estrangeiro ou das intenções da senhora Merkel para essa noite. Mesmo assim uma televisão portuguesa achou que devia divulgar imagens em que Sócrates até segredava ao ouvido de Durão Barroso e essas imagens foram usadas até à exaustão para ridicularizar Sócrates e desvalorizar a assinatura do Tratado.

Imaginem que irritado com a situação Sócrates pedia ao Conselho que a estação de televisão que registou e divulgou tais imagens fosse excluída de toda e qualquer actividade do Conselho Europeu. Não é difícil de perceber o que sucederia, o senhor Palma viria logo defender que haveria um qualquer artigo do Código Penal que permitiria condenar Sócrates e se não havia devia haver e condenava-se na mesma, o Presidente da República viria lembrar que foi ele que liberalizou a televisão em Portugal e que as pressões sobre os jornalistas são tão graves como as escutas a Belém, o Montenegro subiria ao púlpito de São Bento para protestar pela asfixia democrática, a Manuela Ferreira Leite viria a público usar o incidente para mais uma vez explicar que odeia o Sócrates, o Manuel Alegre tomaria posição em defesa da cidadania, o Carrilho daria uma entrevista ao Mário Crespo onde divagaria sobre a relação autoritária entre o porreiro e o pá.

Mas ainda bem que Sócrates não fez nada do que agora fez o Vítor Gaspar que nem sequer é primeiro-ministro, sendo muito questionável que um ministro das Finanças tenha competências para exigir ao Conselho a condenação administrativa de uma estação de televisão que o incomodou o prejudicou a sua imagem. Está em causa a imagem externa do país e que se saiba Gaspar ainda não é nem ministro dos Negócios Estrangeiros nem primeiro-ministro, talvez venha a substituir o Passos Coelho em nome de um estado novo, mas por enquanto ainda parece ser cedo.

O mais grave desta história lamentável que na sequência do caso Rosa Mendes parece que o Governo está a seguir à risca as ideias de João Duque sobre a informação da televisão pública, aplicando os princípios defendidos pelo desastrado economista a uma televisão privada. Os jornalistas portugueses ficaram a saber que quem se meter com o Gaspar leva, ou fazem as notícias que lhe agrada ou correm um sério risco de serem proibidos de exercerem a profissão.

O mais curioso é que bem vistas as coisas a notícia da TVI até foi de encontro aos interesses de Portugal, ao longo dos últimos seis meses foi o único momento em que os juros da dívida soberana portuguesa baixaram de forma consistente. Portanto, o que parece ter incomodado o ministro não foi a divulgação de uma informação com impacto positivo nos mercados, que até poderia ter sido encenada para ludibriar os especuladores.

O que irritou e preocupou o ministro não foram os prejuízos para o país porque não existiram, foi sim a imagem do próprio ministro que a televisão passou e que foi alvo de muitos comentários, a forma subserviente como agradeceu e a postura de alguém que se inclina e é incapaz de se sentar e falar de igual para igual. Mas disto o jornalista não tem culpa, a TVI não pode ser acusada e condenada só porque o Gaspar não passou a ter sex appeal só porque agora é ministro.

Ai Jesus se tudo isto tivesse sucedido no tempo do malfadado Sócrates!

Jumento

O Camilo e o camelo

Publicado Fevereiro 22, 2012 por alfredofontinha
Categorias: Política

Camilo Lourenço um (des)conceituado comentador económico da nossa praça está a mudar. Hoje, no Negócios, escreveu a negação de si próprio, ou então deixou de ser camelo…

“Take 1 – O Governo pagou 12 mil euros por 100 exemplares do seu programa.
Take 2 – O prejuízo das empresas públicas (EP) derrapou 35% em 2011 e atingiu 1,5 mil milhões de euros (o valor do subsídio de Natal dos portugueses).

Passei os últimos dias a analisar a reacção do País a estes dois factos. O primeiro, profusamente analisado (e comentado) nos jornais, foi ampliado “ad nauseam” nas redes sociais. Já o prejuízo das EP pouco mais mereceu do que algumas linhas nos jornais, com destaque para os de Economia. Nas redes sociais (Facebook à cabeça) quase não foi comentado…

O episódio diz bem do momento que vivemos: o populismo ganhou os corações e impede uma análise séria dos problemas que afligem o País. A despesa com o Programa do Governo é uma vergonha e deve ser denunciada? Sim. Mas os prejuízos de 1,5 mil milhões, das EP, são incomparavelmente mais graves. E no entanto não mereceram igual censura dos cidadãos e da “inteligentsia”.

O que é que isto nos mostra? Que aceitamos tranquilamente que o Estado estoire biliões dos contribuintes. Senão como explicar que perdas de 1,5 mil milhões não tenham motivado aberturas de telejornal, debates e a criação de uma comissão de inquérito na AR? Mas se calhar não devíamos ficar surpreendidos: um país cujo Presidente se assusta com o ruído de um grupelho de estudantes em vez de se preocupar com estes problemas, e um país onde um ex-Presidente (que conviveu quase uma década com o despesismo do Estado) repete o disparate de que “há vida para além do défice”, tem o que merece. Safa: e ainda insultamos os “funcionários de 5ª ou 7ª linha” que nos estão a ensinar como gerir o País…”

Não acredito, seriamente, neste parlapatão… mas, por outro lado, também acredito que só os burros é que não mudam. E assim… deixe de ser camelo.

Alfredo Fontinha 

Firmes e hirtos a caminho do precipício

Publicado Fevereiro 22, 2012 por alfredofontinha
Categorias: Política

Os mesmos que tudo fizeram para forçar o governo anterior a pedir ajuda externa fogem agora de um segundo resgate inevitável como o diabo foge da cruz. Dantes como agora o problema situa-se no euro e nos mercados financeiros, Sócrates adiou um pedido de ajuda externa que seria concedido contra a troca da soberania na esperança de a Europa encontrar uma solução. A mesma direita que preferiu prejudicar o país apostando na sua bancarrota faz agora o que impediu José Sócrates e adia o inevitável na esperança de que os mercados se esqueçam das fragilidades do euro.

Passos Coelho e Vítor Gaspar continuam firmes e hirtos assegurando que não será necessário qualquer reajustamento, esta pose de firmeza só foi estragada por um jornalista da TVI que decidiu mostrar um ministro das Finanças curvando-se e agradecendo humildemente a oferta alemã para um segundo resgate. A subserviência perante a estratégia alemã é tal que o país europeu que mais carece de crescimento económico não assinou a carta de vários dirigentes europeus pedindo ao Conselho Europeu uma aposta no crescimento.

Até aqui tem corrido muito bem, as medidas de austeridade foram adoptadas, a EDP foi vendida aos chineses, a administração fiscal foi desorganizada e desestabilizada em nome de uma falsa fusão da qual não resultou qualquer poupança. Os senhores da troika estão aí para dizer que está tudo conforme o combinado, o governo português foi tão bom aluno que até sacrificou o seu povo muito para além do exigido e sem qualquer contrapartida.

O problema é que os senhores da troika não fazem previsões e a que  o Vítor Gaspar fez aquando da elaboração do OE foi uma falsidade, a contracção económica será muito superior aos 2,8% com base nos quais foi elaborado o OE. Ainda as medidas de austeridade mal se fazem sentir e já as receitas fiscais estão em queda livre, os impostos directos caem a pique e o aumento das receitas do IVA estão aquém do esperado. Imagine-se quando todas as medidas se fizerem sentir, incluindo as consequências da actualização do valor dos imóveis e a lei do arrendamento.

Se a dimensão e consequências reais dos excessos de austeridade começam a ser evidentes, o risco de falência generalizada das PME que têm dificuldades em aceder ao crédito ou que são vítimas da política de empobrecimento forçado e, em consequência, da contracção do mercado interno, está por prever. Quando seria de esperar que o governo estivesse preocupado com este problema continuamos a ver um Paulo Portas a falar da diplomacia económica como se estivesse numa discoteca e um Álvaro preocupado com o cluster do pastel de nata.

O país está a caminhar para o precipício e o governo está firme e hirto na defesa de metas em quem já ninguém acredita, gerindo um OE assente em falsos pressupostos e apoiando-se numa troika de idiotas cujos sorrisos amarelos já ninguém consegue suportar.

Jumento


Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.